Biomas

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Biomas são áreas ou ecossistemas da biosfera que possuem semelhanças, como clima e vegetação, também conhecido como semelhanças fitofisionômicas. Mas por que essas semelhanças existem e de onde elas vêm? Essas semelhanças são provenientes de padrões climáticos globais gerados pela variação latitudinal da intensidade de luz solar, circulação do ar e de precipitação. Ou seja, as semelhanças fitofisionômicas são reflexos diretos dos movimentos de rotação e translação do planeta Terra e da interação com os demais corpos celestes do Sistema Solar.

Sistema Solar
Sistema Solar

Zonas e padrões

Estima-se que o planeta Terra possui aproximadamente 4,5 bilhões de anos e que desde o seu surgimento tenha sofrido transformações diante da influência do Sistema Solar. Algumas dessas transformações estão diretamente relacionadas com os biomas, como a formação dos continentes a partir da Pangeia, e as cinco grandes extinções da vida, sendo a dos dinossauros a última delas e a que divide as eras Mesozoica e Cenozoica. Essas transformações foram muito importantes para o desenvolvimento da vida como é possível observar hoje.

Pangeia
Pangeia

Durante a separação da Pangeia, processo conhecido como Deriva Continental, os continentes foram se agrupando em cinco zonas, duas polares, duas tropicais e uma central, com diferentes taxas de incidência de energia de luz solar. As zonas polares (frias) são as extremidades norte (Polo Norte) e sul (Polo Sul) do planeta e são orientadas pelo eixo de rotação da Terra. As zonas temperadas são as zonas intermediárias que, quando compreendidas entre a central (zona equatorial – quente) e a polar norte, é chamada de temperada norte, e quando compreendida entre a central e a polar sul, é chamada de temperada sul.

A zona temperada norte é dividida pelo Trópico de Câncer e a zona temperada sul é dividida pelo Trópico de Capricórnio. Esses dois trópicos marcam a área do planeta onde vivem a maior parte dos seres vivos. Isso por causa das suas características relacionadas às condições climáticas, pois elas favoreceram uma explosão de biodiversidade e propiciaram o desenvolvimento das espécies.

Zonas climáticas
Zonas climáticas

Outro aspecto que pode influenciar no desenvolvimento da vida no planeta é a pressão ao qual os seres vivos estão submetidos. Por exemplo, os seres vivos encontrados no topo das grandes montanhas são semelhantes aos das zonas polares, enquanto os de baixa altitude ou na “linha do mar” são mais parecidos com os seres vivos da zona equatorial. Isso acontece porque a temperatura é “refém” da pressão e, como a pressão atmosférica diminui à medida em que a altitude aumenta, fazendo com que a temperatura diminua, existe uma correlação entre os seres vivos e a latitude e altitude do meio.

Biomas

Os biomas são regiões com semelhanças climáticas e vegetativas que se desenvolveram de acordo com a distribuição de latitude e altitude, classificados em zonas. Essa distribuição criou áreas de características diversas e que possibilitaram o desenvolvimento dos mais diferentes seres vivos. Os principais biomas são tundra, taiga, pradaria, floresta pluvial, floresta caducifólia, savana e deserto.

Biomas
Biomas

Tundra

Tundra é o bioma encontrado em grandes altitudes e altas latitudes, como Ártico e Himalaia. Com essa distribuição, cobre cerca de 20% da superfície do planeta Terra, apresenta baixas temperaturas, não passando de 10° no verão e inferior a -30°C no inverno, e baixo índice de precipitação anual. A vegetação é constituída por herbáceas, mistura de musgo com gramíneas e ervas, junto com arbustos e líquens. Essa pobre vegetação é resultado das baixas temperaturas durante a maior parte do ano, que impede que uma camada de água presente no solo descongele. E com a limitação vegetal, a fauna é restrita a poucas espécies pastejadoras, como bois-almiscarados, alguns predadores, como lobos, ursos e raposas, e animais migratórios, como as renas e algumas espécies de aves.

Tundra
Tundra

Taiga

Taiga ou floresta de coníferas é o maior bioma terrestre do planeta. Ele está presente na América do Norte e Eurásia, se estendendo do trópico de Câncer até o limite da Tundra Ártica. A temperatura desse bioma varia de -50°C, no inverno, a 20°C no verão. O índice de precipitação é pequeno, com ocorrência de secas periódicas. A vegetação da floresta setentrional de coníferas é composta por arbóreas, como os pinheiros, e poucas variedade de espécies arbustivas e herbáceas. A fauna é diversa e definida por residentes, como alces, ursos, tigres e insetos, e migrantes, como aves.

Taiga
Taiga

Pradaria

Pradaria ou pampas ou ainda estepes são regiões ricas e férteis, com clima intermediário. As temperaturas variam de -10°C, durante o inverno, e 30°C, durante o verão, e a precipitação é sazonal, com verões chuvosos e invernos secos. A vegetação predominante é formada por gramíneas e espécies de folhas largas. Algumas dessas espécies mostram adaptações aos períodos de seca e proteção contra fogo. Na fauna nativa são encontrados grandes pastejadores, como bisões e cavalos, além de pequenos mamíferos escavadores, como cães-da-pradaria.

Pradaria
Pradaria

Floresta pluvial

Floresta pluvial ou floresta tropical são florestas encontradas nas zonas equatoriais e subequatoriais. Elas possuem índices de precipitação relativamente constantes e temperaturas altas durante o ano todo, variando de 25°C a 32°C. A vegetação tropical é rica e estratificada verticalmente, por causa da competição por luminosidade. Essa vegetação é formada por árvores emergentes, que transpassam o dossel florestal, árvores do próprio dossel, poucas espécies intermediárias e plantas de pequeno porte, como arbustos e ervas.

Floresta temperada
Floresta temperada

Floresta caducifólia

Floresta caducifólia ou floresta latifoliada temperada é distribuído predominantemente nas zonas Temperadas Norte. Nesse bioma é observado precipitação variável ao longo de todas as estações e temperaturas que também variam bastante, invernos com temperaturas abaixo de 0°C e verões passando dos 30°C. A vegetação madura é composta por dois estratos de árvores do sub-bosque, um de arbusto e um de herbácea. As árvores são do tipo decíduas ou que perdem as folhas durante o inverno. Já a fauna é formada por mamíferos que hibernam no inverno, aves migratórias e insetos que utilizam todos os estratos da floresta. Há predominância de árvores perenifólias, bem como arbustos espinhosos e suculentas. A fauna é a mais rica e diversa do planeta, com estimativas de mais de 30 milhões de espécies ainda não descritas.

Floresta temperada
Floresta temperada

Savana

Savana é o bioma encontrado em zonas equatoriais e subequatoriais, com pouca variação de temperatura, como as florestas tropicais pluviais. Mas, diferente dessas, as savanas não possuem índices de precipitações abundantes, podendo ser quase o inverso, uma vez que a estação de seca pode perdurar por até 9 meses durante o ano. A vegetação é composta por árvores esparsas em diferentes densidades, sendo as gramíneas e ervas predominantes na região. Essas árvores são espinhosas e possuem folhas pequenas, evitando maiores taxas de evapotranspiração. A fauna predominante é de herbívoros, sendo as populações de cupins expressivas. Ademais é formada por grandes pastejadores, como zebras e gnus, e predadores, como leões e hienas.

Savana
Savana

Deserto

Deserto é uma região ou bioma que pode ser encontrado em diversos locais do planeta. Sua característica básica é o seu baixíssimo índice de precipitação, aproximadamente 300mm por ano, sendo o menor entre todos os biomas. As temperaturas são sazonais diárias, com faixas do dia que podem chegar a 50°C e da noite a -30°C. A vegetação é espaçada e composta basicamente por suculentas, como cactos, e pequenos arbustos profundamente enraizados, com espinhos. A fauna desse bioma inclui serpentes, escorpiões, formigas, aves migratórias e roedores. A maioria desses animais possuem hábitos noturnos e sobrevivem apenas da água obtida pela quebra metabólica dos carboidratos das sementes.

Deserto
Deserto

Biomas do Brasil

O Brasil é um país com dimensões continentais. Logo, essa grande extensão territorial traz consigo características provenientes das diferentes latitudes e formações geográficas heterogêneas que orientam ou limitam a formação da cobertura e distribuição vegetal dos ecossistemas ou biomas. Essa heterogeneidade é capaz de criar os mais diferentes biomas, sendo nove os mais proeminentes no território brasileiro. São eles o manguezal, floresta amazônica, mata atlântica, mata de araucárias, cerrado, pradaria, caatinga, mata dos cocais e pantanal.

Biomas do Brasil
Biomas do Brasil

Manguezal

Manguezal é uma zona úmida costeira, definida entre o ambiente marinho e terrestre, característico de regiões tropicais e subtropicais, sujeito ao regime das marés. A temperatura serve de agente limitador ao crescimento vegetal, sendo mais proeminentes nas regiões mais quentes do país. Esse bioma pode ser considerado como berço para a vida marinha, uma vez que diversas espécies oceânicas utilizam esse ecossistema como abrigo para a reprodução e desenvolvimento dos seus descendentes.

Mangue
Mangue

Floresta Amazônica

Floresta Amazônica é o maior bioma brasileiro. Ocupando quase 40% do território nacional, é conhecido pela sua grande biodiversidade, tanto de flora quanto de fauna. É composta por ambientes heterogêneos, como florestas de terra firme e áreas alagadas permanentemente, conhecidas também como florestas de igapós, ou periodicamente, chamadas de florestas de várzeas. As condições climáticas permitem que essa floresta se estenda do oeste do Maranhão até Mato Grosso, e transpasse as fronteiras brasileiras norte e oeste.

Floresta Amazônica
Floresta Amazônica

Mata Atlântica

Mata Atlântica é o bioma característico da região costeira do Brasil. Sua cobertura se estende desde o sul do Rio Grande do Norte até o sul do Rio Grande do Sul, com largura variando de acordo com as formações rochosas litorâneas. Dentro dessa vasta extensão é possível observar diferentes paisagens e características climáticas, o que provavelmente serviu de alavanca para a ampla biodiversidade apresentada. Por conta da proximidade com a zona litorânea, que apresenta alto grau de umidade e chuvas, a Mata Atlântica apresenta estratificação vertical e herbáceas, como na Floresta Amazônica.

Mata Atlântica
Mata Atlântica

Mata das araucárias

Mata das araucárias são encontradas em regiões mais frias do território brasileiro, como no sudeste e sul. Ela possui grande variação nos índices de precipitação, estações bem marcantes e menor biodiversidade, quando comparada com a Mata Atlântica. Diante das características peculiares desse ecossistema, são encontradas espécies raras endêmicas. O grande símbolo desse bioma são os pinheiros-do-paraná (Araucaria angustifolia).

Mata das Araucárias
Mata das Araucárias

Cerrado

Cerrado é um bioma brasileiro muito parecido a savana africana. O clima é bem caracterizado por invernos secos e longos e verões chuvosos. O solo é pobre, diante da pouca matéria orgânica em decomposição, e muito ácido, o que gera a necessidade de correção com adubos e fertilizantes para o seu manejo. Esse bioma brasileiro é distribuído entre os estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Algumas espécies são bem características dessa região e estão ameaçadas de extinção, como o lobo-guará.

Cerrado
Cerrado

Pradaria

Pradaria ou pampa gaúcho é o bioma brasileiro de clima temperado e restrito à região sul do país. Possui chuvas regulares e baixas temperaturas. Essas condições não favorecem o crescimento da vegetação, dando predomínio às herbáceas, em terrenos planos, e arbustos e gramíneas, em terrenos acidentados. Algumas áreas baixadas favorecem a formação de regiões alagadas que atraem aves, marrecos, capivaras e onças, criando uma rica comunidade.

Pradaria
Pradaria

Caatinga

Caatinga é um bioma estritamente brasileiro, encontrado nos estados no Nordeste do país. Esse ecossistema é representado pelo semiárido e possui períodos de seca prolongados como característica predominante. Essas secas tornam os rios da região intermitentes e o solo pouco lixiviado. A caatinga é um bioma heterogêneo, possuindo regiões com marcas da Mata Atlântica, chamada de agreste, quando mais próxima do litoral, e regiões com marcas de deserto, conhecido como sertão, quando mais interioranas. Logo a vegetação apresentada é esparsa e xeromórfica, ou seja, plantas que apresentam adaptações ao clima seco e à escassez de água.

Caatinga
Caatinga

Mata dos cocais

Mata dos cocais é uma região de transição entre a Caatinga e a Floresta Amazônica. Logo possui marcas dos dois biomas que dão características únicas ao ecossistema. O clima possui a tendência de ficar mais úmida à medida em que se aproxima da Floresta Amazônica e a terra é rica e fértil, propiciando um local adequado para o desenvolvimento de vegetação exuberante. Palmeira é a marca característica do bioma, apresentando as mais diversas possíveis. Esse bioma é distribuído entre os estados do Maranhão, Pará e norte do Tocantins.

Mata dos cocais
Mata dos cocais

Pantanal

Pantanal é o bioma praticamente restrito ao Mato Grosso. Isso porque é caracterizado por uma planície inundável, dentro de uma região com clima úmido e quente. Esse bioma é heterogêneo por receber grande influência de outros biomas, como o Cerrado, a Caatinga e a Floresta Amazônica. Unindo essas influências com a geografia local, é possível observar uma vegetação que se comporta de acordo com a altitude. As gramíneas ficam espaçadas, formando ilhas, e as matas de galeria se mantêm em locais mais altos e secos. Existe ainda uma vegetação aquática muito importante para o bioma, pois dá suporte à fauna local por proporcionar abrigo e alimento durante os meses de inundações.

Pantanal
Pantanal
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