Tecido epitelial e conjuntivo

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Nosso organismo é constituído por células que apresentam o mesmo material genético. O que diferencia cada uma delas é o tipo de gene que é ativado para a transcrição de determinada proteína. Uma célula hepática apresenta o gene codificador da proteína do anticorpo, porém ela não o faz e prefere produzir outras moléculas que irão contribuir efetivamente para a sua função. As diferentes funções que encontramos nas células são derivadas da diferenciação celular, mecanismo pelo qual ocorre a tradução de novos genes e inibição de outros, possibilitando com que as células executem diferentes papéis. Nossos órgãos apresentam funções distintas devido aos tipos de substâncias que são produzidas por cada um deles, isto é, o tipo de gene que é ativado em cada um destes tecidos. Todos os órgãos são constituídos de tecido e cada tecido apresenta propriedades e características particulares que irão possibilitar texturas e formas variadas. Os tecidos mais conhecidos são os tecidos epitelial e conjuntivo, suas funções são de revestir órgãos e irrigar nutrientes para os órgãos adjacentes, respectivamente.

Tecido epitelial

Todos os organismos apresentam um tipo de tecido epitelial. Este tecido é caracterizado por não apresentar matriz extracelular e suas células são obrigatoriamente justapostas, sendo unidas por estruturas semelhantes a um nó, estas estruturas são um aglomerado de proteínas adesivas conhecidas como desmossomos.  Os tecidos epiteliais, por apresentarem forte adesão, são capazes de atuar como tecidos de revestimento, fornecendo rigidez e proteção a um órgão, além de atuarem nos processos de secreção e excreção. A pele é um tipo de tecido de revestimento classificado como epitélio de revestimento. Os epitélios de secreção são responsáveis pela síntese e liberação de hormônios, sendo as glândulas exemplos de epitélio deste tipo. Os nutrientes como o gás carbônico e glicose chegam até o epitélio por meio de tecidos altamente irrigados chamados de tecido conjuntivo, são eles os que nutrem e apoiam o epitélio, a junção entre estes dois tecidos é uma região rica em proteínas, denominas de lâmina basal.

A estrutura indicada pela seta é um tipo de tecido epitelial
A estrutura indicada pela seta é um tipo de tecido epitelial

Epitélio de revestimento

Os tecidos podem ser considerados como um aglomerado de células que exercem o mesmo papel, trabalhando de forma cooperativa em prol de um objetivo. A forma como estas células se unem e a função que cada uma desempenha são usadas para classificar os tipos de tecido. O tecido de revestimento é um tipo de tecido epitelial que desempenha funções de proteção e recobrimento de um órgão. Desta forma, os tecidos de revestimento são reclassificados de acordo com alguns critérios:

Quantidade de camadas

Epitélio uniestratificado ou simples: este tipo de tecido apresenta apenas uma camada de células. Isto ocorre porque suas localizações não exigem a necessidade de uma proteção mecânica, permitindo com que este tecido seja mais fino e que absorva mais nutrientes.

Epitélio pluriestratificado ou estratificado: é um tipo de tecido mais rígido relacionado à proteção mecânica de algum órgão. Eles também podem atuar contra a dessecação estando presentes em locais de frequente estresse mecânico, como, por exemplo, a pele e o esôfago.

Epitélio pseudoestratificado: é um tecido composto por uma única camada de células, entretanto estas células estão dispostas de maneira desnivelada, dando a falsa ideia de dupla camada.

Formato das células

Epitélio pavimentoso: tecido caracterizado por apresentar células achatadas (alvéolos pulmonares e vasos sanguíneos).

Epitélio cúbico: tecido caracterizado por apresentar células de mesmo tamanho (túbulos renais).

Epitélio cilíndrico: tecido caracterizado por apresentar células mais alongadas (esôfago).

Epitélio de transição: são tecidos caracterizados por apresentarem células dinâmicas capazes de mudarem de forma de acordo com a necessidade do órgão. As bexigas são um belo exemplo, já que suas células mudam de forma para abrigarem o volume da urina.

Representação ilustrativa das diferentes células e revestimentos presentes no tecido epitelial
Representação ilustrativa das diferentes células e revestimentos presentes no tecido epitelial

A epiderme é um conjunto de células do tipo epitelial estratificado pavimentoso, as células externas são mortas para formarem a camada queratinizada responsável pela hidratação e proteção da pele contra agentes patogênicos. Abaixo dela encontra-se um grupo de células responsáveis pela produção de melanina, substância que protege a pele dos raios ultravioletas, além de atuarem sobre a coloração deste tecido.

Epitélio de secreção

Os epitélios de secreção são responsáveis por sintetizar substâncias capazes de agir no funcionamento do organismo, este tipo de tecido é o que constitui os órgãos glandulares, sendo estes órgãos capazes de atuar na produção de substâncias como o muco, que auxiliam na hidratação e proteção de determinado órgão. As glândulas podem ser de natureza unicelular ou multicelular, sendo consideradas um tipo de tecido epitelial classificado em três quesitos diferentes, no que se diz ao tipo de secreção realizadas por elas: glândulas endócrinas, exócrinas e mistas.

Glândulas exócrinas: são órgãos secretores que apresentam um ducto pelo qual passam as substâncias produzidas por eles que, por sua vez, poderão ser despejadas em cavidades ou superfícies. Exemplos de glândulas exócrinas são: glândula sudorípara e glândula mamária.

Ilustração de uma glândula exócrina e seus ductos
Ilustração de uma glândula exócrina e seus ductos

Glândulas endócrinas: são órgãos secretores que não apresentam ductos, produzindo substâncias que serão liberadas diretamente no sangue ou em vasos linfáticos. Exemplos de glândulas endócrinas são: hipófise e tireoide.

Corte histológico da glândula endócrina folicular
Corte histológico da glândula endócrina folicular

Glândulas mistas: são órgãos secretores que apresentam o melhor dos dois mundos, como o pâncreas, que é um exemplo de órgão misto que consiste em ductos pelos quais as células exócrinas irão liberar o suco pancreático, enquanto que as células endócrinas presentes no pâncreas são responsáveis por fabricarem a insulina e o glucagon, liberando-os diretamente na corrente sanguínea.

Tecido conjuntivo

O tecido conjuntivo é caracterizado por apresentar células afastadas e preenchidas por substâncias intersticiais conhecidas como matriz extracelular. A função deste tecido é de promover o suporte a outros órgãos, realizar a nutrição destes órgãos por meio de vasos sanguíneos e preencher os espaços deixados por eles.  A matriz extracelular pode ser composta por substâncias amorfas, sendo elas as glicoproteínas e os sais minerais, ou então ela pode ser composta por fibras responsáveis pela elasticidade e pela resistência mecânica do tecido. Os exemplos de fibras são as elastinas, colágenos e reticulinas, enquanto os principais tecidos conjuntivos existentes são os tecidos conjuntivos propriamente ditos, o tecido adiposo, o tecido cartilaginoso, o tecido ósseo e o tecido sanguíneo.

Tecido conjuntivo propriamente dito

O tecido conjuntivo propriamente dito é classificado em dois tipos: tecido conjuntivo frouxo e tecido conjuntivo denso.

Tecido conjuntivo frouxo: este tipo de tecido não apresenta fibras e seu conteúdo é essencialmente formado por substâncias viscosas e hidratadas, favorecendo a proteção deste tecido contra a entrada de microrganismos. As principais funções deste tecido são de preenchimento dos espaços entre os órgãos, revestimento e suporte de outros tecidos e proteção contra a entrada de patógenos.

Tecido conjuntivo denso: neste tecido são encontradas diversas fibras colágenas e que podem estar orientadas de forma fixa, estando presente em órgãos que recebem estímulos mecânicos em sentido único, como por exemplo os tendões e ligamentos. Na visão macroscópica este tecido aparenta ter uma forma modelada devido à disposição bem organizada de suas fibras. Este tecido é chamado de conjuntivo denso modelado. Existe também o tecido conjuntivo denso não-modelado, caracterizado pela presença de fibras colágenas dispostas de maneira não padronizada. Isto ocorre em tecidos que recebem estímulos mecânicos de direções distintas, sendo ele o principal que age na proteção dos órgãos como o baço e o fígado. Os fibroblastos são as células responsáveis pela produção de fibras colágenas e que podem ser encontradas nas formas de fibroblastos (jovens e ativas) ou fibrócitos (velhas e improdutivas).

As estruturas indicadas pela seta representam o núcleo do fibroblasto e as fibras elásticas e colágenas
As estruturas indicadas pela seta representam o núcleo do fibroblasto e as fibras elásticas e colágenas

Tecido conjuntivo adiposo

As células deste tecido são chamadas de adipócitos e apresentam uma redução em seu volume intersticial, sendo elas capazes de sintetizar e acumular moléculas lipídicas em suas membranas. A função deste tecido é de fornecer reserva energética e promover o isolamento da temperatura interna. O tecido adiposo pode estar relacionado à proteção contra choques mecânicos, desta forma ele está situado abaixo da derme, sendo esta região conhecida como hipoderme.

Imagem de um corte histológico do tecido adiposo, na qual encontramos os adipócitos e vasos sanguíneos
Imagem de um corte histológico do tecido adiposo, na qual encontramos os adipócitos e vasos sanguíneos

Tecido conjuntivo ósseo

O tecido ósseo é composto por nervos, vasos, canais, fibras colágenas, íons de cálcio, osteoblastos e osteoclastos. Os osteoblastos são as principais células responsáveis pela construção do osso. Quando estas células envelhecem, elas passam a ser chamadas de osteócitos. Em casos de lesões ósseas, forma-se no local ferido uma protuberância óssea originada pelos osteoblastos. Após a cura, o material protuberante é reabsorvido pelos osteoclastos, que irão degradar e metabolizar esta estrutura. Os ossos longos apresentam em sua extremidade uma cartilagem conhecida como epífise, esta cartilagem será substituída por tecido ósseo, acarretando no aumento do comprimento deste osso. Na estrutura interna do tecido ósseo podemos encontrar uma estrutura concebida pela disposição concêntrica dos osteócitos, esta estrutura é conhecida como canais de Havers e são responsáveis por dar suporte a vasos sanguíneos. Os canais de Volkmann dão suporte a vasos e nervos e se comunicam transversalmente com os canais de Havers. No interior de ossos longos, especificamente em sua parte medial (diáfise), encontram-se as medulas vermelhas e amarelas, que são responsáveis pela produção e maturação de todas as células sanguíneas.

Corte histológico de um tecido ósseo
Corte histológico de um tecido ósseo

Tecido cartilaginoso

O tecido cartilaginoso apresenta pouca vascularização e oxigenação, desta forma ele realiza o metabolismo anaeróbico produzindo o ácido láctico como resíduo. Este tecido está relacionado com a sustentação, revestimento de articulações e proteção contra impactos, além de atuar no crescimento de ossos longos. As fibras que mais prevalecem na cartilagem são as colágenas, cuja função é promover uma maior resistência aos tecidos, sendo elas produzidas pelos condroblastos, um tipo de célula jovem e muito ativa. Os condrócitos são células veteranas e experientes no que diz respeito à síntese de fibras. Eles são velhos e apresentam baixa síntese proteica, já os condroclastos são células extremamente ativas e estão relacionadas com a degradação de substâncias e remodelação do tecido cartilaginoso. Existem três tipos de cartilagem: a hialina, a fibrosa e a elástica.

Corte histológico de um tecido cartilaginoso do tipo elástica
Corte histológico de um tecido cartilaginoso do tipo elástica

Cartilagem hialina: caracterizada pela presença insignificante de fibras colágenas, sendo encontrada nos discos epifisários, traqueia e brônquios.

Cartilagem fibrosa: este tipo de cartilagem está presente nas vértebras, possui muitas fibras colágenas, as quais proporcionam uma maior resistência a pressões externas.

Cartilagem elástica: caracterizada por apresentar poucas fibras colágenas e muitas fibras elásticas, este tipo de tecido constitui as orelhas e parte da laringe.

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