Verminoses

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As verminoses são doenças causadas por dois grupos de organismos: platelmintos e nematelmintos. Nos humanos, eles são parasitas internos ou endoparasitas e costumam dificultar o seu controle pelos órgãos de saúde pública. Sendo assim, eles acometem adultos e crianças, de qualquer idade ou sexo, independente da classe social, e podem provocar grandes danos ao indivíduo, por vezes até fatais. As verminoses mais frequentes são: ascaridíase (Lombriga), teníase (Solitária) e oxiuríase. Outras menos conhecidas são extremamente importantes devido ao quadro clínico de alto risco para a vida do paciente.

Verminoses causadas por platelmintos

Os platelmintos são vermes de corpo achatado e de pouca espessura, não passam de alguns centímetros e costumam ter vida livre que se inicia na água e, depois, na fase adulta, migra para o ambiente terrestre. Estes animais sãos seres multicelulares complexos que apresentam tecidos como músculos, revestimento de órgãos e tecido epitelial. Existem, ainda, algumas espécies providas de um terceiro tecido chamado de mesoderma. A evacuação destes animais ocorre por meio do mesmo canal pelo qual entra o alimento, sendo assim eles apresentam sistemas digestivos incompletos. A reprodução destes seres ocorre de forma sexuada e assexuada. As verminoses são doenças que podem ser causadas por platelmintos parasitas e as mais conhecidas são: teníase, cisticercose humana e esquistossomose. Nas próximas seções, falaremos de cada uma delas, expondo seus agentes causadores, os seus ciclos de vida no ser humano e os efeitos que podem ter em um indivíduo contaminado, assim como as formas de transmissão e profilaxia.

Teníase

  1. Agente patológico: os agentes etiológicos são tênias e solitárias. Estes parasitas apresentam estruturas favoráveis para seu estabelecimento na parede do intestino humano como, por exemplo, a escólex, presente na cabeça do animal. Esta estrutura apresenta quatro ventosas responsáveis pela adesão do parasita na parede do intestino, além de dois ganchos localizados na extremidade da cabeça, os quais auxiliam a fixação do parasita. O colo é a estrutura alongada na qual se encontra o estróbilo, podendo chegar a metros de comprimento e é onde estão localizados inúmeros anéis responsáveis pela reprodução do animal. Por serem hermafroditas, estes animais realizam a autofecundação, na qual são gerados ovos contendo embriões que posteriormente serão direcionados para o final do estróbilo para, então, serem liberados.
  2. Ser humano: no homem, a tênia se multiplica em grade quantidade devido à alta disponibilidade de nutrientes. O indivíduo infectado apresenta aumento no apetite e hemorragias internas devido a fixação do parasita na parede do intestino. Além de dores abdominais e perda de peso.
  3. Transmissão: o ovo embrionado do parasita é eliminado pelas fezes dos humanos, que poderão contaminar os alimentos ingeridos por animais como porcos e bois. Dentro destes animais, há a eclosão do ovo na corrente sanguínea, liberando um embrião que, desta forma, poderá alcançar vários órgãos como cérebro e músculos. Nestes órgãos, o embrião se desenvolve em larvas cisticerco que por lá ficam até que algum humano coma a carne do animal contaminado. No interior do organismo humano, as larvas cisticerco rompem a membrana pela qual estavam envolvidas e utilizam seus escólex e colo para aderirem à parede do intestino humano.
  4. Profilaxia: os principais recursos utilizados para evitar o contágio por estes parasitas envolvem o saneamento básico, fiscalização de carnes, a fim de detectar a presença de larvas, tratamento dos doentes e cozimento adequado de carnes bovinas e suínas.
Imagem microscópica de uma Taenia solium, que evidencia os escólex presentes em sua cabeça
Imagem microscópica de uma Taenia solium, que evidencia os escólex presentes em sua cabeça

Cisticercose humana:

  1. Agente patológico: a Taenia solium é o agente causador da cisticercose. Este tipo de cisticerco mede de 4 a 12 metros de comprimento e se assemelha ao citado anteriormente, porém só pode ser encontrado em carnes suínas. A principal diferença é que a fase larval encontra-se no interior do organismo humano, enquanto que os ovos são encontrados no interior de porcos.
  2. Ser humano: no indivíduo humano, o parasita encontra-se em sua forma larval e as lesões ocasionadas por eles afetam o funcionamento dos olhos podendo levar à cegueira, além de interferirem na mobilidade dos músculos e no comprometimento do encéfalo.
  3. Transmissão: nos humanos, os ovos de tênia são ingeridos por meio de alimentos e água contaminados. A larva de tênia pode se acumular na região retal do indivíduo doente e em alguns casos o indivíduo pode coçar o ânus e posteriormente levar a mão à boca, ocasionando o fenômeno da autoinfecção.
  4. Profilaxia: a profilaxia envolve a higienização pessoal, saneamento básico e cozimento adequado de alimentos como verduras e carnes.
Ciclo de vida da Taenia solium
Ciclo de vida da Taenia solium

Esquistossomose

  1. Agente patológico: o Schistossoma mansoni ou esquistossomo é o principal parasita responsável pela esquistossomose. É um parasita intravascular e permanece sempre no lúmen dos vasos quando infecta o homem e, como todos os platelmintos, o tubo digestivo do Schistosoma é incompleto e tem sistemas de órgãos muito rudimentares. Este parasita mede cerca de 1cm e apresenta duas ventosas que o auxiliam na adesão ao hospedeiro. Existem machos e fêmeas para os indivíduos desta espécie, sendo assim eles são considerados dioicos. O macho apresenta uma fenda na qual a fêmea se aloja e, na maioria das vezes, o macho é mais curto, porém mais largo do que a fêmea.

    Aspecto geral de um Schistosoma
    Aspecto geral de um Schistosoma
  2. Ser humano: nos humanos, os vermes adultos costumam se estabelecer no intestino, vasos sanguíneos e fígado. No fígado, os esquistossomos adultos comprometem sua função devido às inúmeras lesões causadas por suas ventosas. Eles também podem se acumular no interior de vasos sanguíneos situados entre o fígado e o intestino, desta forma comprometem o funcionamento do sistema circulatório e acarretam a perda de líquido sanguíneo para a região abdominal, processo conhecido como ascite. O depósito de ovos é intermediado pela fêmea e ocorre na parede do intestino humano. A eliminação dos ovos pelas fezes humanas pode causar hemorragias internas.
  3. Transmissão: os humanos podem contaminar a água ao eliminarem, nas fezes, os ovos de esquistossomo em lagos ou rios. No ambiente aquático, os ovos eclodem e liberam uma larva ciliada conhecida como miracídio. O miracídio irá nadar livremente até encontrar um hospedeiro temporário, sendo este um caramujo do gênero Biomphalaria. No interior deste hospedeiro, a larva ciliada irá se desenvolver em um indivíduo adulto, que será capaz de se reproduzir dando origem a um esporocisto. Dentro desta estrutura são produzidas milhares de larvas cercárias, as quais irão migrar para o ambiente aquático, podendo novamente ser ingeridas por humanos.

    Ciclo de vida do Schistosoma mansoni
    Ciclo de vida do Schistosoma mansoni
  4. Profilaxia: os métodos profiláticos incluem o tratamento de doentes, saneamento básico e combate ao hospedeiro temporário (caramujo).

Parasitoses causadas por nematelmintos

Ao contrário dos platelmintos, os nematelmintos possuem tubo digestório completo, com boca e ânus. Geralmente têm sexos separados e as diferenças entre o macho e a fêmea podem ser bem nítidas, como no caso dos principais parasitas dos humanos. As principais verminoses são: ascaridíase, ancilostomose e filaríase.

Ascaridíase

Doença parasitária causada pela lombriga, como é conhecido popularmente o verme Ascaris lumbricoides. Afeta principalmente órgãos como o intestino delgado, quando os ovos depositados eclodem, e pulmões, após migrarem através do sangue.

Aspecto geral de um Ascaris lumbricoides
Aspecto geral de um Ascaris lumbricoides
  1. Agente patológico: A Ascaris lumbricoides é um verme dioico da família Ascarididae. Sua morfologia é cilíndrica e seu corpo possui um revestimento chamado de cutícula apresentando três lábios. Apresenta dimorfismo sexual, no qual o macho possui entre 20 cm e 30 cm e a fêmea entre 30 cm e 40 cm. Sua fecundação é interna, assim, durante o acasalamento, o macho introduz suas espículas penianas na vagina da fêmea, podendo esta, liberar milhares de ovos diariamente.
  2. Ser humano: A lombriga é um parasita monoxênico, o que quer dizer que possui apenas um hospedeiro, no caso, o homem. Como se alojam no intestino delgado, podem provocar problema nutricionais, uma vez que esses vermes retiram seus nutrientes da cavidade intestinal. Entre os sintomas dessa doença parasitária estão: dores abdominais, apendicite (quando os parasitas migram para o ceco intestinal) e pancreatite (quando se alojam no canal pancreático). A larva apresenta diversos estágios de desenvolvimento: primeiramente, após sua ingestão, o ovo migra pelo esôfago e também pelo estômago; posteriormente, pode se desenvolver no intestino, onde cai na corrente sanguínea; ela é, então, carregada para o coração e, por fim, para os pulmões onde se modifica e permanece por dias, levando ao surgimento de sintomas como tosse e, consequentemente, à bronquite e pneumonia. Neste último estágio, pode haver propagação da larva, se ela for expelida no catarro provocado pela tosse. Após, a larva passa pelos brônquios, laringe, traqueia e, por fim, o esôfago, após ser deglutida, chegando posteriormente ao intestino onde adquire a forma adulta.
  3. Transmissão: A infecção ocorre por uma infestação passiva, na qual os ovos são eliminados através de fezes humana, após deposição dos mesmos na cavidade intestinal pela fêmea. Posteriormente, podem ser disseminados e contaminar ambientes como a água e o solo. Ainda, os ovos podem ser disseminados por meio de insetos e pela utilização da água contaminada na irrigação de verduras, que serão consumidas de maneira inadequada por seres humanos, caracterizando outra via de contaminação.
  4. Profilaxia: As formas de prevenir o contágio envolvem desde ferver a água, verduras e legumes para consumo, até possuir saneamento básico e higiene pessoal e o tratamento de indivíduos infectados, evitando a transmissão do parasita.
Ciclo de vida do Ascaris lumbricoides
Ciclo de vida do Ascaris lumbricoides

Ancilostomose

  1. Agente patológico: Duas espécies são caracterizadas por causar esta verminose, Ancylostoma duodenale e Necator americanus. Ambas são parasitas hematófagos e habitam o intestino delgado do ser humano durante a fase adulta, de onde retiram o sangue. Possuindo-o como seu único hospedeiro (monoxênicos). Apresentam cerca de 1 cm de comprimento e, além disso, a Ancylostoma duodenale possui em sua boca dentes e a Necator americanus apresenta placas cortantes, que possuem funções de fixação à parede intestinal e participam da retirada de sangue. Sua fecundação é interna e, como vermes dioicos, a fêmea se apresenta maior do que o macho.

    Fotografia microscópica de um Ancylostoma
    Fotografia microscópica de um Ancylostoma
  2. Ser humano: Devido à perda de sangue excessiva, que ocorre como consequência da retirada de sangue da parede intestinal por esses parasitas, o ser humano pode apresentar quadros de anemia, que ocasiona no indivíduo um enfraquecimento acentuado, reduzindo suas capacidades motoras e mentais. Além disso, pode desencadear dores abdominais, náuseas, vômitos e redução de apetite, levando o indivíduo a apresentar aspecto de palidez, sendo este o motivo pelo qual a doença é conhecida popularmente como “amarelão”. Casos extremos podem levar à hemorragia intensa, além de necrose de tecidos, causando a morte do indivíduo. A larva penetra o organismo através da pele e das mucosas. Posteriormente, alcança o coração após atingir vasos sanguíneos/linfáticos. Após a chegada aos pulmões, a larva lá permanece por dias, causando febre, tosse e lesões ao local. Por fim, após atravessar os brônquios, laringe e tranqueia, chega ao intestino após ser deglutida. Ao se instalar no intestino delgado, atinge a fase adulta.
  3. Transmissão: Com a eliminação das fezes do hospedeiro humano, os ovos depositados pelos parasitas na cavidade intestinal, são disseminados no ambiente. Caso sejam liberados no solo, indivíduos que caminham descalços se tornam hospedeiros em potencial, uma vez que, após a liberação da larva, esta se mantém alimentando de matéria orgânica até se desenvolver e atingir a fase adulta, que pode penetrar a pele do ser humano.
  4. Profilaxia: O indivíduo infectado deve receber tratamento adequado para eliminação do parasita e para reposição dos nutrientes perdidos, principalmente o ferro (presente na hemoglobina dos glóbulos vermelhos). Além disso, deve-se evitar caminhadas descalço, e implementar medidas de saneamento básico.
Ciclo de vida do Ancylostoma
Ciclo de vida do Ancylostoma

Filaríase

  1. Agente patológico: O Wuchereria bancrofti é um verme dioico que apresenta dimorfismo sexual, no qual o macho (4 cm) é consideravelmente menor que a fêmea (10 cm), possuindo fecundação interna. Na fase adulta, esse parasita habita os vasos linfáticos do ser humano, seu hospedeiro definitivo.

    Aspecto geral de uma Wuchereria
    Aspecto geral de uma Wuchereria
  2. Ser humano: Quando ainda estão na forma larval, conhecidas como microfilárias, possuem cerca de 250 micrometros e habitam principalmente os vasos sanguíneos. Já na fase adulta, habitam principalmente os vasos linfáticos transportadores de linfa. Consequentemente, os parasitas obstruem esses vasos localizados nas mamas, bolsa escrotal e membros superiores e inferiores, causando a retenção da linfa que leva ao rompimento dos vasos linfáticos e ao extravasamento da linfa nos tecidos corporais, gerando aumento de volume nas estruturas atingidas, caracterizando a elefantíase.
  3. Transmissão: O hospedeiro intermediário dessa doença parasitária, em alguns países, é a fêmea do mosquito do gênero Culex que, ao se alimentar de sangue de seres humanos, pode sugar as microfilárias que se localizam nos vasos sanguíneos próximos a pele. Em determinadas localidades, como sudeste da Ásia, o mosquito vetor pertence ao gênero Anopheles. Após serem sugadas, as microfilárias passam através do tubo digestório do mosquito para sua musculatura e permanecem se desenvolvendo até atingirem a fase larval, que podem ser transmitidas para o ser humano por meio da picada do mosquito do gênero Culex.
  4. Profilaxia: O combate ao mosquito transmissor é a principal medida profilática efetuada. Dessa forma, utilização de repelentes e telas protetoras ao redor das camas se torna imprescindível. Além disso, o tratamento a indivíduos infectados deve ser empregado tanto para melhora pessoal, assim como para reduzir a transmissão para as demais pessoas.
Ciclo de vida de uma Wuchereria bancrofti
Ciclo de vida de uma Wuchereria bancrofti
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