Protozoários

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Os protozoários têm seu nome de origem grega, cujo significado é “animal primitivo” e se deve ao fato deles serem organismos eucariotos que não apresentam um padrão de tecido e são encontrados vivendo de forma livre no ambiente. Desta forma, alguns deles foram capazes de desenvolver estruturas que facilitam sua locomoção, sendo esta adaptação importantíssima para a obtenção de alimento e fuga de predadores.  O grupo dos protozoários é classificado como polifilético, ou seja, apresenta espécies com a mesma característica, porém que não são provenientes de um mesmo ancestral, fenômeno conhecido como convergência evolutiva.

A reprodução dos protozoários pode acontecer de forma sexuada por meio do mecanismo conhecido como conjugação ou pode acontecer de forma assexuada através da divisão binária, que origina vários clones de um mesmo indivíduo. Alguns protozoários necessitam parasitar outro animal para completar seu ciclo de vida, podendo gerar prejuízos ao seu hospedeiro. Sendo assim, alguns parasitas, transmitidos através da ingestão de alimentos contaminados ou pela picada de insetos, são extremamente perigosos para os humanos. No entanto, existem formas de evitar esse contágio, mas, para que isso aconteça, métodos profiláticos devem ser tomados com base em normas e cuidados que deverão ser rigorosamente obedecidos.

Fotografia de protozoário realizada por um microscópio óptico
Fotografia de protozoário realizada por um microscópio óptico

Estrutura celular dos protozoários

As células dos protozoários são semelhantes a de qualquer animal, apresentando mitocôndrias, retículos, núcleo e ribossomos. Com isso, eles podem ser definidos como animais unicelulares, já que não apresentam qualquer tipo de tecido ou estrutura multicelular, mas são capazes de sobreviver no ambiente de forma independente. No grupo dos protozoários são encontradas diferentes espécies de microrganismos, como por exemplo: leishmanias, giárdias, tripanossomas, paramécios, amebas, etc. No entanto, todas compartilham as mesmas características básicas que as definem como protozoários, a começar pela rara presença de envoltório nuclear que, se presente, apresenta uma fina camada não constituída por peptidoglicano (substância da parede celular bacteriana).

A membrana dos protozoários é fina para que eles possam absorver com facilidade os nutrientes do meio externo e isto é possível devido à plasticidade de sua membrana, capaz de englobar qualquer substância. Já o citoplasma pode ser dividido em duas camadas: o ectoplasma e endoplasma, onde estão localizados mitocôndrias, retículos e ribossomos. O ectoplasma é mais viscoso devido à presença de inúmeros ribossomos, enquanto o endoplasma é a camada mais interior e mais fluida. A alteração na consistência destas camadas ocasiona o surgimento de pseudópodes, responsáveis pela movimentação e pela fagocitose. O núcleo apresenta um envoltório nuclear que protege o material genético (cromatina) responsável por controlar a atividade metabólica e a reprodução destes organismos. Após a alimentação, os protozoários digerem o alimento por meio de enzimas digestivas que estão armazenadas em vesículas membranosas denominadas de vacúolos digestivos.

O citosol dos protozoários é altamente concentrado e por isso apresenta uma densidade maior do que a da água, sendo assim os protozoários precisam estar frequentemente bombeando o líquido interno para fora, desta forma equilibrando a pressão osmótica. As estruturas responsáveis pelo bombeamento deste líquido são conhecidas como vacúolos pulsáteis.

Formação dos pseudópodes capazes de fagocitar o alimento
Formação dos pseudópodes capazes de fagocitar o alimento

Coordenação das atividades de um protozoário

As atividades de um protozoário começam pela absorção de elementos fundamentais para a sua sobrevivência como gases e sais minerais. Eles são obtidos por meio de difusão, na qual ocorre o transporte destas substâncias do meio mais concentrado para o menos concentrado. Protozoários de água doce apresentam em seu interior maior concentração salina, desta forma, em situações hipertônicas, os protozoários acumulam água em reservatórios conhecidos como vacúolos pulsáteis, que servirão para reestabelecer o equilíbrio osmótico. No caso de uma situação hipotônica, os vacúolos contraem expulsando a água para fora da célula.

O transporte de nutrientes para dentro do protozoário ocorre por meio de pseudópodes capazes de fagocitarem o alimento. Já no interior da célula, o alimento é carregado até uma estrutura membranosa chamada de vacúolo digestivo, estrutura que armazena enzimas de lisossomos que são eficientes na degradação de açúcares, lipídios e proteínas. Os nutrientes derivados do processo digestivo são reaproveitados para construírem ou repararem outras organelas e os resíduos restantes desta digestão são eliminados para o ambiente externo por um mecanismo conhecido como clasmocitose. Os protozoários, assim como nós, desenvolveram a capacidade de extrair energia do alimento por meio da respiração celular, sendo este processo dependente de oxigênio. Assim, a necessidade de alimento provém da dependência energética destes microrganismos para a realização de funções vitais. A atividade metabólica dos protozoários gera resíduos como amônia e gás carbônico e que são expulsos para o ambiente por meio de difusão.

Reprodução dos protozoários

Os protozoários são organismos capazes de se reproduzirem de forma sexuada e assexuada. A forma sexuada acontece quando uma célula proveniente de outra linhagem solta um fragmento de seu material genético (DNA) para que uma célula de outra linhagem incorpore este material ao seu, fenômeno conhecido como conjugação.

A forma assexuada é mais comum e acontece quando uma célula mãe atinge um tamanho suficiente para que ela possa realizar uma divisão binária que dará origem a uma célula filha idêntica à célula mãe. Os protozoários são capazes de gerar cistos (esporos) responsáveis pela proteção de sua célula frente a um ambiente de recursos escassos, esta estrutura é caracterizada por apresentar um revestimento rígido para proteger a célula contra choques mecânicos e seu metabolismo é relativamente baixo. Entretanto, ao migrar para um ambiente favorável a sua sobrevivência, este cisto se rompe e o protozoário readquire uma alta taxa metabólica, podendo novamente se reproduzir e perpetuar sua espécie.

Reprodução assexuada de uma ameba por meio da divisão binária
Reprodução assexuada de uma ameba por meio da divisão binária

Classificação dos protozoários

Os protozoários são um filo representado por quatro grandes grupos e que são classificados de acordo com sua forma de locomoção. Os quatro grandes grupos são: Rizópodes, Flagelados, Esporozoários e Ciliados.

Os Rizópodes são um grupo de protozoários de vida livre ou parasitas obrigatórios, sendo o mais popular a ameba. Eles se locomovem por meio de prolongamentos derivados de suas membranas conhecidos como pseudópodes. Estes prolongamentos são bem proeminentes e espes

sos, sendo facilmente observados no microscópio como estruturas lobosas.

Os Flagelados podem ser de vida livre ou parasitários e possuem flagelos que permitem com que eles nadem no ambiente em que vivem. Estas estruturas são originadas dos centríolos e algumas podem apresentar em sua base um revestimento membranoso chamado de colarinho. O colarinho é capaz de gerar uma corrente de água capaz de trazer consigo moléculas de nutrientes que serão retidas e absorvidas pelo revestimento membranoso. Os protozoários que apresentam o colarinho são denominados de coanoflagelados.

Os Esporozoários não apresentam estruturas relacionados a sua locomoção e sua reprodução acontece por meio de esporos que irão dar origem a gametas flagelados. Eles são parasitas obrigatórios e podem causar doenças como a malária.

Os Ciliados apresentam estruturas menores e mais abundantes do que as encontradas nos Flagelados e que também estão relacionadas com a sua locomoção. Estes protozoários apresentam dois núcleos: micronúcleo e macronúcleo. A função de cada núcleo é referente ao controle da reprodução sexuada e à regulação da atividade metabólica, respectivamente. As células deste grupo podem ser providas de aberturas (citóstoma) responsáveis pela entrada do alimento e, da mesma forma, elas apresentam estruturas capazes de expulsar o alimento, conhecidas como citopígeo.

Representação dos diferentes protozoários encontrados em cada grupo
Representação dos diferentes protozoários encontrados em cada grupo

Parasitoses

O termo parasitose refere-se ao estabelecimento de um parasita dentro de um hospedeiro e as consequências desta interação no indivíduo infectado, sendo que, na maioria dos casos, os parasitas extrapolam no consumo dos recursos e acabam sendo prejudiciais para o organismo hospedeiro. As diversas patogenias causadas por parasitas são conhecidas como parasitoses e  podem ser de origem viral, bacteriana, fúngica ou protista. As parasitoses ocasionadas por protozoários são frequentes em humanos, afetando uma parcela expressiva da população mundial. Para que isso seja evitado, precisaremos estudar e entender o ciclo de vida de cada protozoário, para que, posteriormente, possamos planejar formas de impedir o contágio. O estudo das parasitoses será baseado na relação entre protozoários e humanos.

  1. Relação entre parasita e hospedeiro: os protozoários estabelecem prioridades durante seus ciclos de vida, de forma que, em certas etapas, estes parasitas necessitem migrar para um ambiente (hospedeiro) que seja capaz de fornecer condições para alimentação, desenvolvimento e reprodução. Os hospedeiros são reservatórios ricos em nutrientes e outras substâncias e são capazes de fornecer a temperatura ideal para o estabelecimento de protozoários. Desta forma, eles participam ativamente de etapas específicas do ciclo reprodutivo destes parasitas.
  2. Forma como ocorre a transmissão: alguns protozoários vivem em ambientes aquáticos ou em alimentos como carnes e vegetais. Desta forma, eles podem ser ingeridos por humanos e depois liberados novamente no ambiente por meio das fezes e urinas. Outros protozoários necessitam de vetores, que nada mais são do que reservatórios intermediários responsáveis pela transmissão do parasita entre dois hospedeiros distintos.
  3. Técnicas de profilaxia: as técnicas de profilaxia têm como objetivo descrever procedimentos capazes de evitar o contato com o protozoário parasita, possibilitando a sua erradicação da população mundial. Os métodos profiláticos consistem no saneamento básico, na higienização pessoal, no combate aos vetores essenciais para o ciclo de vida do parasita e no tratamento do doente por meio de medicamentos.

Protozoários e suas protozooses

A entrada do protozoário no organismo humano certamente irá causar prejuízos e doenças que podem ser fatais para o indivíduo. As patogenias causadas por protozoários são chamadas de protozooses. As protozooses mais populares encontradas em humanos são: amebíase, doença de chagas e malária.

Amebíase

  1. Protozoário: a amebíase é uma doença causada por protozoários Rizópodes como a Entamoeba histolytica. Este parasita faz parte da microbiota do intestino humano, contudo, quando ocorre um distúrbio imunológico no hospedeiro, este parasita passa a se reproduzir de forma desenfreada, resultando em formas violentas que irão danificar a parede do intestino. Eles podem ser encontrados em dois estados diferentes: trofozoíto e cisto. O trofozoíto é a forma mais ativa, que apresenta alta taxa de metabolismo e reprodução, já o cisto é a forma relacionada à resistência destes parasitas, por surgirem em ambientes desfavoráveis à sobrevivência do protozoário, apresentando esporos de revestimento grosso.
  2. Hospedeiro humano: a Entamoeba histolytica vive no intestino grosso dos humanos de maneira comensal, ou seja, extraem nutrientes sem causar danos ao hospedeiro. Entretanto, se houver algum tipo de estresse que seja capaz de alterar as funções imunológicas do hospedeiro, estes parasitas passam a se reproduzir de forma exacerbada, causando feridas na parede do intestino que podem evoluir para um quadro de hemorragia. A disseminação destes parasitas por meio da corrente sanguínea poderá acarretar uma infecção generalizada, podendo afetar órgãos como fígado e cérebro.
  3. Forma de transmissão: a amebíase atinge os humanos através da ingestão de cistos presentes na água ou em alimentos como carnes e verduras. O número de indivíduos contaminados aumentou devido a não higienização humana somada a disseminação destes parasitas por meio de moscas e baratas.
  4. Técnicas de profilaxia: tratar o indivíduo adoecido por meio de fármacos altamente tóxicos para as células humanas; cuidar da higiene pessoal; lavar bem os alimentos e ter um bom sistema de saneamento básico.
Microscopia óptica de um cisto do protozoário Entamoeba histolytica
Microscopia óptica de um cisto do protozoário Entamoeba histolytica

Doença de chagas

  1. Protozoário: a Doença de Chagas é causada por um protozoário Flagelado conhecido como Trypanossoma cruzi. Entretanto, a forma infectante deste parasita, ou seja, a forma que está no interior da célula do hospedeiro, não apresenta flagelo. O flagelo está relacionado à locomoção dos parasitas e é derivado dos centríolos que estão presentes em uma das extremidades da célula. Quando o flagelo emerge do protozoário, ele levanta um segmento da membrana celular que dá origem a uma estrutura delgada e ondulatória responsável pelo movimento do protozoário.
  2. Hospedeiro humano: os humanos podem contrair a doença de chagas de várias maneiras, como através da ingestão das fezes do inseto barbeiro, ou pela liberação do parasita diretamente na pele após a picada do inseto. A doença incide em adultos de 30 a 60 anos e apresenta sintomas apenas na fase crônica. Os sintomas desta doença surgem décadas após o contágio original e são eles: aumento do fígado e baço, perda da contração do coração, inflamação no cérebro e nas meninges, febres, inchaço por todo o corpo e aumento dos linfonodos.
  3. Forma de transmissão: O Trypanossoma cruzi precisa de um vetor que o transporte para um organismo humano, este vetor é conhecido popularmente como barbeiro. Existem mais de 300 espécies deste inseto que podem transmitir a doença, dentre elas podemos destacar o Triatoma infestans, Rhodnius prolixus e os Panstrongylus megistus. O inseto apresenta hábitos noturnos e se alimenta de sangue de alguns mamíferos. No caso dos humanos, ao picar, o inseto defeca os protozoários na pele e, quando o local é coçado, surgem pequenas feridas que servirão como porta de entrada para estes parasitas. A infecção causada pela ingestão de alimentos contaminados pelas fezes do barbeiro também ocorre, entretanto são menos frequentes.
  4. Técnicas de profilaxia: a prevenção é feita por meio do controle da entrada de insetos nas residências, sendo indicado o uso de mosquiteiros. O fechamento de frestas presentes em paredes e portas é extremamente indicado em locais nos quais encontram-se os vetores. Para que não ocorra a ingestão das fezes do inseto é indicado que os indivíduos evitem comer alimentos de rua como caldo de cana e açaí.
Esfregaço sanguíneo contendo dezenas de Trypanossomas
Esfregaço sanguíneo contendo dezenas de Trypanossomas

Malária

  1. Protozoário: o Plasmodium vivax é o protozoário responsável pela doença da malária e necessita de mosquitos do gênero Anopheles para atuarem como vetores. No intestino dos mosquitos, estes parasitas se reproduzem de forma sexuada e, após a picada, eles serão regurgitados para dentro do hospedeiro humano. Lá, eles irão infectar células hepáticas até maturarem e depois migrarão para o sangue com o intuito de infectar hemácias.
  2. Hospedeiro humano: O organismo humano funciona como reservatório definitivo para os protozoários do gênero Plasmodium. A malária é a doença causada por estes parasitas e afeta diversos órgãos e sistemas do corpo, como o sistema nervoso e aparelho respiratório. Febre alta, sudorese, calafrios, palidez, cansaço, falta de apetite e dores na cabeça são os principais sintomas que acompanham indivíduos infectados.
  3. Forma de transmissão: As fêmeas do mosquito Anopheles atuam como vetores na transmissão dos protozoários para dentro do hospedeiro, sendo assim, no momento da picada, elas liberam os parasitas em sua forma trofozoíta para dentro da corrente sanguínea.  A transfusão de sangue sem os devidos cuidados, seringas contaminadas e mães grávidas infectadas são outras formas em que há a possibilidade de contágio.
  4. Técnicas de profilaxia: a prevenção ocorre com o uso frequente de repelentes e roupas compridas a fim de evitar a picada do inseto. Evitar o acúmulo de água parada é extremamente importante para impedir o depósito de ovos do mosquito vetor, dificultando desta forma a sua reprodução.
Trofozoítos do gênero Plasmodium isolados do sangue de um paciente infectado
Trofozoítos do gênero Plasmodium isolados do sangue de um paciente infectado
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