Sujeito

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Na gramática, o sujeito de uma oração é o termo com o qual o verbo concorda, de forma que é ele que se relaciona com a ação ou ligação verbal, praticando ou sofrendo a ação.

Termos da oração

As palavras, ou grupos de palavras, que possuem alguma função sintática dentro de uma oração (frase com verbo) são chamados de termos da oração. Os termos da oração podem ser divididos em três grupos: os “essenciais”, aqueles que são fundamentais para a análise contextual, como o sujeito e o predicado, os termos “integrantes”, que completam os sentidos dos nomes e verbos, como os adjuntos e, por fim, os termos “acessórios” que apresentam complementos a mais, como a especificação do sujeito.

Sujeito

O sujeito de uma oração faz parte dos termos essenciais desta. Ele é o termo com o qual o verbo concorda. Assim, para identificar o sujeito de uma oração, podemos fazer algumas perguntas ao verbo:

Quem?

Exemplo: João viajou para Paris. → Quem viajou para Paris? João (sujeito da oração).

Pode ser substituído por pronome pessoal do caso reto?

Exemplo: Felipe e Pedro jogaram na partida de hoje. → Quem jogou? Felipe e Pedro (sujeito da oração).

Felipe e Pedro podem ser substituídos por um único pronome pessoal: Eles jogaram na partida de hoje.

Concorda em número e pessoa?

Exemplo: Maria e Ana compraram presentes para a família. → Quem comprou? Maria e Ana (sujeito da oração).

O verbo está na terceira pessoa do plural (“compraram”). Maria e Ana (elas) estão em concordância de número e pessoa com o verbo.

Ainda, podemos classificar o sujeito dependendo da forma com que ele estiver explícito, ou não, na oração. Quando o sujeito é destacável na oração, ele é chamado de determinado e, em contrapartida, quando o sujeito não é destacável, o denominamos indeterminado. Além disso, quando o núcleo do sujeito é único (há uma única palavra que o define de forma completa), chamamo-nos de sujeito simples e, quando o núcleo possui mais de uma unidade, ele é chamado composto. Veremos essas classificações com mais detalhes nas seções seguintes.

Sujeito semântico e sujeito sintático

Na análise semântica, na qual se analisa os sentidos das palavras, o sujeito se define como sendo aquele sobre o qual se diz algo ou aquele conectado a uma ação. Esse é o sujeito semântico ou a visão semântica do sujeito.

Contudo, pode-se definir sujeito como a palavra com a qual o verbo concorda e se flexiona, se o predicado for verbal, ou palavra da qual o nome concorda, se for predicado nominal. Esse será o sujeito sintático.

Tipos de sujeito

No estudo do sujeito da oração, existem várias formas do sujeito participar da oração, sendo que em cada uma delas várias características e peculiaridades podem ser notadas.

Podemos dividir os sujeitos das orações, como citado anteriormente, em sujeito determinado e sujeito indeterminado e consequentemente várias subdivisões podem ser feitas.

Núcleo do sujeito

Para entendermos melhor os diferentes tipos de sujeito, precisamos primeiro entender o conceito de núcleo.

O núcleo do sujeito é a palavra que tem maior importância dentre todas aquelas que constituem o sujeito, aquela que o define.

Exemplo: O menino de camisa azul corria pelo parque.

Perceba que o sujeito dessa oração é “o menino de camisa azul”, porque é ele quem realiza a ação de “correr”. Porém, o núcleo desse sujeito, a palavra mais importante, é apenas “menino”. As demais são apenas acessórios que ajudam a caracterizar o sujeito.

Exemplo: Caio e Beatriz fizeram prova hoje.

Neste exemplo, o sujeito é “Caio e Beatriz”, uma vez que ambos realizaram a ação. Assim, temos dois núcleos, já que o sujeito é composto por dois elementos igualmente importantes.

Entendido isso, vejamos agora os tipos de sujeitos.

Sujeito determinado

Dizemos que o sujeito é determinado quando ele é facilmente destacado a partir da concordância verbal.

Podemos identificar:

a) Sujeito determinado simples. É aquele que apresenta apenas um núcleo ligado ao verbo.

Exemplo: A sala estava bagunçada. O sujeito é “a sala” e o núcleo é a palavra “sala”.

b) Sujeito determinado composto. É aquele que apresenta dois ou mais núcleos ligados ao verbo.

Exemplo: Futebol e corrida são esportes de alto desempenho. O sujeito é “futebol e corrida” e os núcleos são “futebol” e “corrida”.

c) Sujeito determinado elíptico ou desinencial, também denominado oculto, é aquele que não está explícito na oração, mas pode ser determinado no período devido ao contexto analisado e pela conjugação verbal presente na oração.

Exemplo: Passei pela praça principal. Podemos observar que o verbo está conjugado de maneira que o termo “eu” fica implícito na sentença, podendo preceder o verbo “passei”. Assim “eu” é o sujeito oculto.

Sujeito indeterminado

Diferentemente do sujeito elíptico, o sujeito indeterminado não está explícito na oração e não é determinável pelo contexto ou conjugação verbal.

Existem três formas de indeterminar o sujeito.

a) Quando o verbo está na terceira pessoa do plural sem estar referido a nenhum termo anterior.

Exemplo: Perderam você de vista.

b) Quando o verbo está na terceira pessoa do singular e acompanhado do pronome ”se”. O pronome “se” será um índice de indeterminação do sujeito.

Exemplo: Vende-se tomate.

c) Quando o verbo está no infinitivo impessoal.

Exemplo: É complicado assistir a momentos tão tristes.

Oração sem sujeito

Podemos classificar um período simples como oração sem sujeito, quando este apresenta verbos impessoais (que não se referem a uma pessoa do discurso). Assim, orações sem sujeito podem ser identificadas em três casos:

Verbos que denotam fenômenos da natureza e tempo

Exemplos: Choveu muito durante a tarde./ São três da tarde.

Verbo “haver” e “fazer” indicando um tempo passado

Exemplos: Há dias ela não é vista./ Faz décadas que isso não acontece.

Verbo “haver” com sentido de existir

Exemplo: Há milhares de registros dessa situação.

Fluxograma apresentado os tipos sujeitos.
Resumo dos tipos de sujeitos.

Inversões

Na ordem usual da língua, os termos da oração se distribuem naturalmente na ordem sujeito + predicado + complemento. Entretanto, existem alguns casos em que ocorrem inversões nesta ordem. Vejamos alguns destes casos.

Hipérbato

No hipérbato, uma figura de construção da sintaxe, a ordem natural da construção sofre uma inversão na sua forma direta.

Exemplo:

Ordem direta de uma oração: “Ele partiu tristonho”;

Em hipérbato: “Tristonho ele partiu”.

Vale a observação de que o uso do hipérbato pode, em algumas ocasiões, dificultar o entendimento da mensagem a ser transmitida.

Anástrofe

A anástrofe é um tipo de recurso da linguagem oral e escrita, utilizado para o aumento da expressividade de uma mensagem através de uma inversão leve na ordem natural das palavras em uma oração, sendo, desta forma, um tipo de hipérbato. A anástrofe é utilizada para o reforço de uma ideia ou, também, para a criação de um “efeito surpresa” em um texto.

Exemplo:

Ordem natural: “O pai deu um presente ao filho”;

Em anástrofe: “Ao filho, o pai deu um presente”.

Sínquise

Diferente do tema anterior, a sínquise é dada por um hipérbato com uma inversão muito brusca na ordem natural de uma oração de forma que ela se torne ininteligível.

Exemplo:

Ordem natural: “O menino dormia na cama azul”;

Em sínquise: “Cama azul dormia o menino na.”.

Posposição do sujeito

A posposição do sujeito ou sujeito posposto é a alocação do sujeito após o verbo, alterando a ordem natural da língua.  Essa posposição pode se dar pela necessidade de ênfase sob alguma ideia.

Exemplo:

Ordem natural: “Tu faz esse trabalho!”;

Com o sujeito posposto: “Esse trabalho faz tu!”.

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